sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Minha Visão do Inferno

O inferno astral de um pai começa quando seu filho aprende a usar o "e" e o "se" na mesma frase.

Eu sei porque já fui um querido filho com suas intermináveis perguntas.

"E se...?"

E se soubéssemos como seriam nossas vidas, optaríamos por viver?

Imagino, porém, que a abrangência de uma série de perguntas de e se seja infinita.

Somos seres insaciáveis pelas nossas dúvidas, e, por estas mesmas, somos chamados de seres racionais.

Não é o saber que move a humanidade, é o querer saber... é o "e se...".

Engraçado, não? Pois, quando jovens, somos muitas vezes podados quando começamos a deslanchar uma série de perguntas sobre hipóteses que nem mesmo somos capazes de julgar se são plausíveis ou não.

É um crime cortar esta parte da criatividade de uma criança. Mas, convenhamos, quem tem paciência para tudo isso?

Mas, crescemos! As nossas perguntas diminuem!

Talvez continuem fazendo sentido somente a nós mesmos, mas quem somos nós para nos questionar sobre nossa própria realidade?

Estou no caminho certo? E se eu fizesse isso diferente?

Estou com a pessoa certa? E se eu começasse novamente?

E se eu vivesse novamente, quais seriam minhas escolhas?
E se eu vivesse novamente...

E se vivêssemos novamente, depararmo-nos-ia com as mesmas dúvidas... Tomaríamos rumos semelhantes?

Poucos sabem, mas já vivem o que eu considero o Inferno Pessoal...

O processo de arrependimento não termina com as consequências... longe disso, se parasse por aí, seríamos mais felizes...

Ficamos nos torturando durante um período incalculável, remoendo-nos dentro de vários "e se..."'s.

Conjecturamos diversos cenários em nossas mentes e não conseguimos parar... não conseguimos entender, muitas vezes, que o que já passou não pode ser mudado, é vicioso... afinal seríamos muito mais felizes se pudéssemos sempre voltar atrás!

Quem nunca teve nenhum arrependimento? Quem não carrega em si, hoje, um "e se..."?

E se eu tivesse dado mais atenção a esta amizade quando foi necessário, ainda a teria?

E se eu tivesse mudado de emprego?

E se eu tivesse ido falar com aquela garota?

Mas, sabem a verdade? O pior? A pior tortura para um ser humano seria passar sua vida toda aos seus olhos, mostrando um processo de tomadas de decisão acertadas, e todas decisões que dependiam somente dele.

Imagine-se, após toda a vida, você ver quão mais feliz você poderia ter sido com algumas mudanças simples! Imagine você vivendo todos seus "e se..." que você não pode voltar atrás...

Imagine...

Tudo isso passando por seus olhos. Uma dor apertaria seu coração, não? O quanto você sofreu desnecessariamente...

Imagine...

Agora, imagine que você não possa voltar atrás! Imagine que cada segundo é único, cada segundo é importante... cada momento é um fato e cada fato terá sua história por toda sua vida...

Imagine que suas decisões têm impacto hoje, amanhã e depois...

Cada segundo vale a pena... cada momento que você não se arrepender será seu... é seu maior bem precioso... e são estas as recordações que você deve guardar...

Todos seus erros compõem quem você é hoje. Seu caráter é mudado quando você tem alguma amizade ferida... seu humor nunca mais será o mesmo quando você perder um amor...

Mas a recíproca é verdadeira, e é nesta verdade que devemos nos apegar...

Usando das palavras de uma amiga... quando você fica com "borboletas em seu estômago", sua vida fica mais colorida... as cores não mudaram, e você está em um momento áureo...

Quando você conquista algo que batalhou imensamente para obter, desde uma nota na faculdade, quanto um emprego dos sonhos, quem consegue descrever sua felicidade? Nem mesmo você!

Admirável mundo novo... mundo do "e se..." e se não perdêssemos nosso tempo com o que não foi e sim com o que será...


Um comentário:

  1. O "e se" faz parte do que somos, porque tudo o que passa por nós passa a fazer parte de quem somos, da nossa história. Mas o "e se" também pode se tornar uma droga, na qual nos viciamos e a culpa se torna parte de nossos dias: "E se eu tivesse feito diferente?". Acho que o negócio é dar o seu melhor em tudo o que fizer e torcer para dar certo, pois, para nossa tristeza, muita coisa NÃO depende da gente e não adianta se remoer pelas decisões dos outros que nos envolvem. Pelo menos é assim que eu tenho feito.
    Estou largando o "e se" aos poucos e procurando outros vícios mais saudáveis (?).
    E sim: nossas conquistas são algo indescritível =)
    Ótimo post ;)
    Um beijo,
    Larissa

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